Mostrando postagens com marcador Comissário CEC2012. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Comissário CEC2012. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Última Hora - Guy Marais desapareceu

O assunto é grave e não merece sorrisinhos cínicos. Guy Marais, esforçado escriba deste café, não dá sinais de vida desde sexta feira passada, altura em que enviou um sms a Pedro de Leitões perguntando-lhe se queria ir jantar ao restaurante Cabeça de Porco, em Moreira. Posto isto, não mais atendeu telefones, respondeu a emails e, mais grave, à porta de seu apartamento vazio estava um bilhete manuscrito que dizia - e citamos - fui para Gondar. Ora, Guy, mitómano por vocação, dizia sempre que tinha um - e citamos - castelo em Gondar. Sabendo nós da inverdade de tal afirmação - Guy não tem nenhum castelo em Gondar, até porque não há castelos em Gondar - escarrapachamos* neste espaço a nossa preocupação e lamento pelo silêncio de Guy Marais. Afinal, quem cala consente.

* que palavra incómoda, não?

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Previsão do Tempo para Atouguia e Arredores

Em dois mil e oito Guimarães vai ter um bairro paki, um restaurante tailandês, mais dois japoneses, mais três italianos, uma mesquita, uma sinagoga, mais um ou dois bares gay, um bar clube lounge para elitistas de sexta feira, jornais que dêem notícias, jornais que dêem notícias com seriedade, uma estátua nova, um centro cultural bem pensado, uma casa das artes acabada, um clube de futebol novo, um teatrinho, menos matarruanos, mais intelectuais, um metro a sério – não metrinho -, um gabinete de reflexão sobre a cidade, que percebe que isto já vai de Nespereira às Taipas e já não do Fundador aos Jagunços, cinco projectos dos quais um e meio é passível de fornicar isto de vez, filmes estreados em tempo útil, menos cinema para imbecis de centro comercial, uma japoneira com duzentos anos, uma circular pensada com grandiosidade, uma saída nas Taipas na à onze, entretanto transformada em secute, uma feira erótica no multiusos, uma avenida nova, uma esplanada sem música de fezes a debitar, poetas malditos a vaguear pelos jardins, um canto dos faladores, um sistema de transportes públicos ferroviários competente, um mini-eco-bus para o centro, um festival de verão elegante, enfim, ó pá, é assim, dois mil e oito para Guimarães, pá, dois mil e oito vai ser um ano do c*****o.

sábado, 24 de novembro de 2007

Temos Homem!

Ainda na taberna cibernética do Fernandes, longe de casa, acabo de ler um e-mail que provocou em mim um forte abalo, que abeirou a convulsão espasmódica. Quem me escreve, diz-me que ficou sentido com algo que eu teria escrito a seu respeito. A verdade é que eu nada disse sobre a sua pessoa, nem poderia ter dito: até há momentos nem sequer sabia da sua existência. Só há pouco, depois de ter lido a caixa de comentários ao meu último escrito aqui vertido, é que, pela primeira vez, me deparei com o seu nome. O impressionante currículo que me enviou produziu em mim efeito semelhante à visão da igreja dos Santos Passos iluminada: a revelação da transcendência em toda a sua pureza e grandiosidade. Desatei a tremer, com as mãos geladas e uma zoeira nos ouvidos, entrei em tempestade cerebral. Fiquei com uma garfada de pipis ao molho de piri-piri entalada no gasganete, embrulhou-se-me o estômago, escorri suores frios, desfaleci, tardei uma eternidade a recobrar o fôlego. Vim a mim com o Fernandes a dar-me palmadas nas costas, a desapertar-me o colarinho e a despejar-me o jarro de vinho pelas goelas abaixo. Confesso que nunca vi nada assim e que o que vi ultrapassa tudo quanto poderia imaginar. Senti-me em presença de um ser único e inigualável. Estou certo de que, desde Afonso Henriques, nunca houve ninguém com tal dimensão em terras de Guimarães. Esmagado por tanta erudição, eloquência, cosmopolistismo e mundividência, não tenho dúvidas de que este homem merece um trono, um altar, um banco privativo no jardim do Toural e, até mesmo, um lugar cativo nas retretes da rua de Camões. Eis aqui um sábio, talvez mesmo um erudito, que carrega consigo uma impressionante ilustração, um imenso know-how e, ouso dizê-lo, algum savoir faire. Este homem é um portento, um estratega, um predestinado e um visionário.

Meus senhores e minhas senhoras, escusam de procurar mais. Chamem por ele, enquanto é tempo.

Chamem Olívio Chamado.

Só ele pode ser o Comissário da Capital Europeia da Cultura em 2012.