Mostrando postagens com marcador Clientes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Clientes. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Última Hora - Guy Marais desapareceu

O assunto é grave e não merece sorrisinhos cínicos. Guy Marais, esforçado escriba deste café, não dá sinais de vida desde sexta feira passada, altura em que enviou um sms a Pedro de Leitões perguntando-lhe se queria ir jantar ao restaurante Cabeça de Porco, em Moreira. Posto isto, não mais atendeu telefones, respondeu a emails e, mais grave, à porta de seu apartamento vazio estava um bilhete manuscrito que dizia - e citamos - fui para Gondar. Ora, Guy, mitómano por vocação, dizia sempre que tinha um - e citamos - castelo em Gondar. Sabendo nós da inverdade de tal afirmação - Guy não tem nenhum castelo em Gondar, até porque não há castelos em Gondar - escarrapachamos* neste espaço a nossa preocupação e lamento pelo silêncio de Guy Marais. Afinal, quem cala consente.

* que palavra incómoda, não?

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Segurem-se!

E, agora que já cá estamos todos, afora os que ainda hão-de vir, é que isto vai ser!

Os Nossos Clientes: Guy Marais

Pedem-me uma biografia. A ela vamos, não pela minha mão, mas pela pena de Georges Savage, editor crítico de alguma da minha obra, cínico amigo que não perde uma oportunidade de me mitificar. O que os caros leitores se preparam para ler é uma mistura harmoniosa de realidade com pouquíssima ficção. Alteram-se datas e nomes, salvaguardam-se identidades, exceptuando minhas e de meus pais, de molde a proteger, destarte, todos aqueles que comigo privaram e que fizeram a minha vida até agora. Mas não será difícil compreender quem é quem neste caminho que trilho de há quarenta anos a esta parte.

"Guy José de Marin Marais nasceu em Paris, no Marais, a 16 de Outubro de 1967. É filho de Cidália do Céu de Sá José e de Ghislain Marin Marais, que dizem ser descendente em linha directa do afamado compositor seiscentista. Muito pouco ou quase nada o liga a Guimarães, a não ser o facto de lá viver desde 2004. Mora numa casa de arquitecto em Pinheiro.
A infância de Guy Marais foi igual à de todos os meninos parisienses: cultura, haute couture, cinema, bouquinistes ao sábado, Cahiers du Cinema, Echo des Savanes, piano, fromage frais, Jacques Dutronc, Michel Arnaud e Arthur H.. Perseguia-o sonho de uma vida iluminada e Guy, esperançoso, vivia na pungente espera do momento de tão almejada revelação. Um dia, nos idos de oitenta, no metro de Paris, mais precisamente na estação de Chardon Lagache, ouviu os cantares de um grupo de jovens estrangeiros. Percebeu que se dirigiam a si, já que cantavam algo parecido com Oh, Guy Marais, ton progrés é tua vide. Marais ficou radiante, em êxtase pré-xamânico, tipo figura de intelectual parisiense de idos de oitenta, entre o cachecol e a sapatilha branca, com óculos de tartaruga, tamanho extra largo, quando vê um filme de Louis Malle. Na companhia desses mecs alienantes, Guy Marais saltou, dançou, comeu e bebeu durante três dias e quatro noites, até não suportar mais o cantar do galo francês no Bois de Boulogne. O bando era proveniente de Guimarães, berço de pedra du Portugal, país de sa mère Cidália de Sá José. Entre os vapores do vinho, os rapazes e raparigas revelaram-lhe a cosmogonia da sua cidade: a origem e a história das suas gentes e dos seus lugares, do labor da sua grei, dos reis conquistadores e dos castelos encantados. Guy facilmente percebeu que tinha que partir para aquele lugar e que aquele lugar iria ser o seu. E partiu. Fê-lo à boleia, numa road trip françuguesa, com destino final em Guimarães, apoiado por um esparso pecúlio dado por sua mãe, repudiado pelo silêncio de seu pai. Olhando em frente para o seu destino a cumprir - a bela e formosa Guimarães, cidade de pedra com nome como o seu – Guy deixava para trás o pútrido ar da Îlle de France, jurando não mais voltar à cidade-luz. Guimarães era agora a sua meta, não importando nem o tempo que demoraria a lá chegar, nem o modo como o faria. Rumou primeiramente até Clermont Ferrand, onde viveu dois anos com a comunidade portuguesa local, aprendendo-lhe os modos e os trejeitos. Aperfeiçoou a língua e a escrita lusas. Leu Camões, Hélder, Sena, Proust e a Antologia de Poetas Vimaranenses. Viu os filmes de Oliveira, o francês mais português de todos. Apaixonou-se, incorrespondidamente, pela filha do presidente da Mairie, Marie, por quem sentiu imensa saudade – oh, registo de tão grande portugalidade assimilada – na manhã solarenga de Agosto em que deixou Clermont Ferrand rumo a Saint-Bonnet-le-Château, onde permaneceu pouco tempo. Por engravidar Amelie-Jeanette Pereira, a filha do talhante português existencialista da rua da Ligne Maginot, Guy Marais teve que pôr em prática a arte da fuga em todo o seu esplendor, fintando o destino. Da sua curta permanência na vice-capital do Loire, Guy guarda memória dos primeiros domingos lá passados, sempre na companhia das meninas Neuilly, ensinando-lhes a arte da viola de arco, em troca da aprendizagem de todos os segredos do croché e de todo o tipo de sevícias e carícias. Tudo se ensinava e aprendia no quarto de seus ausentes pais, irregulares pagadores das horas de ensinamento da viola de arco, donos de um belíssimo relógio de bolso de ouro e diamantes que Marais não teve pejo em esbulhar - facto que nega peremptoriamente - por crêr que de tal forma saldava as aulas de viola de arco em atraso.
De Saint-Bonnet-le-Château, Guy Marais rumou até Le Puy-En-Velay, decidido a não mais descer do nível de cavalheiro onde tanto lhe custara chegar. Aí - em Le Puy-En-Velay - passou fome durante alguns dias, os suficientes para subtrair uma edição primeira e assinada de um livro de George Perec a um reputado alfarrabista local, vendendo-a por uma pequena fortuna a outro reputado homólogo de Romans-Sur-Isère. É nessa pequena localidade que é barbaramente agredido, numa madrugada de domingo. De tamanha barbárie resultou a perda, por amputação, do mindinho esquerdo. Diz-se que tudo aconteceu por causa do jogo, vício que acompanhou Guy Marais durante alguns anos. Inspirado por tão perniciosa alegação, improvável por não rememorada, Marais abafa as meias medidas e, com a considerável maquia conseguida na venda do livro de Perec, rumou até ao Mónaco, onde terminou o curso de sociologia e privou com a aristocracia local. De dia trabalhava como croupier no casino, à noite dedicava-se de corpo e alma aos recitais de poesia burguesa nos salões da Baronesa Wendt de Osterberg, uma idosa com quem dizem ter-se envolvido sentimentalmente. As suas lucubrações levaram-no à escrita e publicação de pequenos contos, de teor erótico-cultural, feitos de frases curtas e incisivas que lhe caucionaram o respeito da burguesia boémio-intelectual local. Envolveu-se, sentimental e intelectualmente, com Maribelle Bartók, a Bela, como lhe chamava, que lhe transmitiu uma visão cósmica do mundo que Marais trataria de adaptar, anos mais tarde, à realidade vimaranense. A deambulação monegasca terminou com a recusa de Guy em casar-se com Maribelle, decidido a não ludibriar, mais uma vez, o seu destino. Tal recusa seria mote para que Maribelle se vingasse e que de tão mesquinho acto resultasse a fuga de Marais. Beleza inteligente e pérfida, Maribelle lança o boato, nos mais influentes círculos, de que Guy é Le Chat Noir, o arguto ladrão de bancos. Verdade ou não, o que é certo é que Marais parte para a Suíça, onde permanece dois meses e meio. Em Genebra entra para a maçonaria e, paradoxalmente ou talvez não, em Zurique entra para a Opus Dei. Delatado por um banqueiro, Guy Marais larga tudo o que tem em vinte e duas horas e, com alguma ironia para com o país de onde acabara de sair, decidiu tornar-se marinheiro. Apenas com uma simples mochila e três mudas de roupa, Guy Marais chegou a Génova e daí atravessou o mediterrâneo até Ceuta. Deste porto africano escreve à sua mãe confessando-lhe estar decidido “agora sim, a não mais descer do nível de cavalheiro que tanto [lhe] custara atingir” e que abandonou “o vício dos poemas de vez”. Curiosamente, o destino reservar-lhe-ia algo bem diferente das palavras escritas à sua mãe: depois de seis meses de silêncio, Guy é tido como um poderoso traficante de armas sindicalizado, facto que nega com veemência. Dois anos depois, já em meados de noventa, Guy Marais é achado em Marselha, metido na droga e no seu comércio. Dizem as más línguas que foi membro do gang de Alain Fournier. Dizem as mesmas más línguas que Guy Marais matou gente. É também em Marselha que Guy privou com o grande Pierre La Rothière, com quem se diz ter tido uma relação. Tudo factos não provados. O que é certo é que é em Marselha que Marais fica durante vários anos, dobrando o século e o milénio, empregado numa fábrica de sabões local e cronista de música tradicional africana para um jornal da cidade. Quando já todos temiam que, pela vida e suas vicissitudes, tivesse esquecido o seu sonho inicial, Guy Marais, fazendo jus ao seu temperamento instável, abandona a certeza, larga a segurança e decide voltar ao seu ponto de partida: a chegada a Guimarães, o nirvana consigo próprio, o início do seu próprio fim. Consegue uma pós graduação em Estudos Urbanísticos na Universidade de Marselha onde se propõe averiguar a veracidade de um rumor sobre a cidade berço, que lhe fora segredado por um amigo, uma vez, à porta de um bar em Montpellier. Tal rumor postulava que grande parte da parte histórica da cidade berço é falsa, sendo o resultado de três grandes projectos urbanísticos iniciados em 1810 de modo a se conseguir, rapidamente, o estatuto de cidade para a então pequeníssima vila (o que se consegue em 1853). Tais projectos teriam sido executados segundo metodologias medievais achadas e estudadas na única casa de tal altura que permanecera em pé, resistente singular, a par do Castelo e de algumas igrejas, ao grande fogo de 1667. Este plano viria, uma centúria depois, a ser retomado pelo Estado Novo com o desiderato de afastar Craveiro Lopes de Lisboa estabelecendo a residência oficial da Presidência da República no Paço dos Duques de Bragança. Desde que chegou a Guimarães, no Outono de 2004, Guy Marais tem-se dedicado a recolher provas desta tese, na qual acredita piamente, apesar de só ter o Paço como sustentáculo fáctico-intelectual do que defende."


Georges Savage, Outubro de 2007.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Os Clientes: Jean-Paul Voreira

Quem é Jean-Paul Voreira? Ninguém sabe.

Como todas as grandes figuras da nossa história, a personagem e o mito tendem a confundir-se. Assim, se sempre se pensou que havia nascido numa casa ao cimo da Rua de Camões, há hoje quem afirme que afinal veio ao Mundo em Viseu. Indubitavelmente.

Se uns dizem que nasceu em 1973, outros afiançam que foi em 1937. Há ainda quem defenda que o nascimento se deu em 1379 e foi mesmo publicado recentemente um pequeno opúsculo defendendo a tese que afinal foi em 3197, ou seja, que ainda não foi.

Mas se o passado de Jean-Paul Voreira é um tanto nebuloso, o presente não o é menos. Onde vive? Em Aldão, ou no último piso do edifício dos correios? É loiro, moreno ou anão? Não sabemos.

Sabemos sim que cursou arquitectura paisagística numa Universidade da Ucrânia e que foi o autor do tristemente esquecido 6º grande projecto para Guimarães: a criação de um corredor verde que começava na Caldeiroa e terminava em Atães.

Fora isso, resta a lenda: que é o "Alter Ego" de algumas personalidades vimaranenses das quais destacamos Pimenta Machado e Manuel Perú; que já andou à porrada com o Zé Lingrinhas e com o Cónego Melo e que tem problemas de bexiga.

Mito ou realidade? Verdade ou invenção?

A palavra a Jean-Paul Voreira.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Os Clientes: Pedro de Leitões

Pedro de Leitões não é de Leitões, freguesia castiça do concelho de Guimarães, mas de outra do género, no mesmo concelho. Para que o moço não atrofiasse por ali, o seu pai, que não percebia nada de finanças mas possuía biblioteca, mandou-o uns tempos para o palácio de Fronteira, do seu amigo Marquês. Aí o podíamos encontrar, pelos jardins, lendo Hölderlin numa edição definitiva da Gedanken. Ou a flanar entre as mulheres, por aí fora.

Nos idos de 80 do século passado, Pedro foi à Suécia com um seu tio José. Este seu tio era um inaudito cavalheiro, nunca dizia não a uma senhora, qualidade notável que Pedro admirava e se esforçava por seguir. Foi nessa viagem singular que conheceu Heidi, a deusa anarco-libertária com quem viveu, durante três anos, numa comunidade psicadélica tardo-beatnick, em Sundsvall.

Por isto e por aquilo regressou à casa paterna, donde nunca saí, como costuma dizer, quando lhe dá a melancolia.

Pode ser visto a certas e determinadas horas com aquela tropa de putativos vencidos da vida do Café Toural. Também é motivo de muitos delírios gozosos o facto de Pedro de Leitões viver sozinho na sua quinta de brasão com um homem, um amigo, de quem nada se sabe a não ser o estranho nome de Pio Nine.

Convém talvez avisar que a passagem pela tal comunidade de Sundsvall ainda hoje se manifesta, uns flashesitos de vez em quando, principalmente quando escreve, confundindo-lhe as conexões, sobrepondo-lhe planos e tempos. Quando isso acontece, Pedro costuma dizer que a verdade não é uma narrativa plana, mas um rizoma.

sábado, 20 de outubro de 2007

Os clientes: Honoré de Balazar

Não falta lá na terra quem ache que há qualquer coisa que não bate certo em Honoré de Balazar. Vive, há um par de anos, na casa da família, no sopé do monte do Outinho, que mantém guardada por quatro dogues argentinos, sequazes submissos e obedientes de uma cadelinha Yorkshire Terrier que responde pelo nome de Frida Dominatrix. Filho de Gervásio e de Aparecida Fertuzinhos, gaba-se de ser bissexto, preparando-se para celebrar o seu décimo segundo aniversário em 2008. Ninguém sabe dizer por onde andou, nem o que fez, desde que partiu para o Brasil com os pais, ainda nos idos de sessenta do século passado. A sua pronúncia tem um acentuado arranhar caipira, que pode muito bem ser resultado do piercing que traz debaixo da língua. Costuma vangloriar-se de receber em casa certas senhoras de Braga, já entradotas, a quem consola, por filantropia e caridade, e que são popularmente conhecidas como as balazarianas. Diz praticar a profissão de escritor, mas ninguém lhe conhece qualquer livro. Consta que escreve pornografia light e que, por razões meramente comerciais, assina os seus livros com o pseudónimo de Margarida Rebelo Pinto. Prepara-se para começar a escrever uma série de textos curtos, sob o tema “A verdadeira história de…”. Há quem suspeite que tenha nascido mulher e que, certo dia, farta de aparar o buço pertinaz, teria decidido mudar de sexo e deixar crescer a bigodeira magnificente que agora ostenta. Quanto a isto, como quanto a tudo o que diz respeito a Honoré de Balazar, não há nenhuma certeza. Certo, certo é que a beata Deolinda, que cuida das coisas da Igreja do Divino Salvador, jura a pés juntos que descobriu no livro de registos da paróquia que, no dia 29 de Fevereiro de 1960, D. Aparecida Fertuzinhos deu há luz um rebento, que foi baptizado com o nome de Honorata.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Os Nossos Clientes: Marquês da Caldeiroa

Nascido nas traseiras de uma casa da rua de Camões no ido ano de 1915, desde pequeno se mostrou uma pessoa ardilosa, traiçoeira de mau fundo.

Filhos dos Barões da Caldeiroa, obteve o título de Marquês em 1943 em circunstâncias muito duvidosas que ainda hoje fazem correr tinta nas mais altas instâncias Casa Real Portuguesa, bem assim como no Bundestag (antigo BundesReich - no qual o Marquês foi, até ao ano de 1945, figura muito apreciada e bem vinda).

Doutorado em bioquímica pela Universidade Complutense de Madrid, é também apaixonado pela mitologia escandinava bem assim como pelo jogo de xadrez.

São-lhe imputados crimes diversos, goza de uma reputação que nos abstemos de aqui publicar por respeito aos nossos leitores.

Participa desde muito novo em discussões acaloradas acerca do futuro, passado, presente e destino da cidade que o viu nascer e onde vive numa casa apalaçada, sozinho.

Polémico quanto baste, desbragado e desmedido no emitir de opiniões acerca de Guimarães, é visto com desconfiança pela maioria dos seus concidadãos.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Os Nossos Clientes: Martinho das Sandes

Oriundo provavelmente do norte do concelho de Guimarães, Martinho, nascido a 24.06.1128 e, posteriormente, também, a 23.06.1853, existe, no entanto, como entidade imaterial desde os alvores do calcolítico.

Tendo ontificado por diversas vezes, aproveitou essas oportunidades para viajar a pé, tendo percorrido várias distâncias (entre as quais avulta uma caminhada ininterrupta de 342,8m, desde a Morreira até Balazar). Nas suas erráticas viagens, assistiu a diversos prodígios, dos quais dá relato abundante - tendo escrito 6.323 tomos das suas memórias que nunca publicou -, travou conhecimento com as mais díspares personalidades das várias eras, embora algumas teimem em não o cumprimentar.

Inspirou diversas invenções, como o bronze e a água carbónica mineral. Outras importou-as, melhorou-as e disseminou-as, como foi o caso da sandes, vagamente inspirada pela ânglica sandwich, à qual, num golpe de puro génio, retirou o palito e o guardanapo, introduzindo a definitiva solução de continuidade transversal e o acompanhamento com um copo de tinto. Tal corte epistemológico, veio a ser reconhecido pelo povo que, aos gritos de "Santo!" o incluiu na toponímia concelhia, acompanhado pela sua criação.

Hoje, sem o vigor de outras épocas, continua lúcido e activo. Pensa, escreve e produz vinho verde tinto, apenas para o seu consumo, numa quintinha próxima da cidade, onde recebe os seus muitos amigos para animadas tertúlias e, amiúde, os trata mal.

Os Nossos Clientes: Olaf Oleiros

Olaf Oleiros terá nascido algures na segunda metade do século XX em Oleiros, Guimarães. Olaf é filho de mãe desconhecida (natural de Oleiros) e de pai norueguês (de seu nome Olaf Reud, nascido na Ilha do Urso na Noruega).

Olaf Oleiros foi fruto de um estranho melting pot genético que culminou na curiosa escolha do seu nome, que quando pronunciado rapidamente em português pode ser facilmente encarado como uma provocação.

Olaf estudou um pouco por todo o Mundo tendo começado os seus estudos na escola primária de Oleiros e tendo acabado os mesmos na escola primária da Ilha do Urso. No entanto, Oleiros também estudou Filosofia, História, Cinema e Podologia nas mais prestigiadas instituições académicas do Mundo.

Olaf Oleiros é visto pelos seus amigos e colegas como um intelectual de primeira, um orador brilhante, um filósofo impar, uma pessoa normal e como um amigo sem escrúpulos.

Olaf é um indivíduo alegre e bem disposto, sempre pronto para uma boa discussão. A sua bebida preferida é o chá de tília, uma bebida que, devido aos seus efeitos calmantes, já o salvou de perder a cabeça e pôr uma bomba em alguns dos mamarrachos que se vão construindo pela sua Amada Guimarães.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Os Clientes: Aldo Nim

Aldo Nim veio ao mundo em Azurém, na segunda metade do século passado. É ambíguo de nascimento, por parte de pai e mãe. Por julgarem que era uma rapariga, começaram por lhe chamar Alda. Verificado o engano, ficou Aldo, para evitar mais trabalhos. Fez a primária na Escola de Donim, onde tem metade das suas raízes e onde voltou a morar depois de ter andado sabe-se lá por onde. Frequentou diversos institutos, escolas, colégios, ATL's, universidades e madrassas, tendo acabado por se licenciar em Bioquímica das Generalidades Fragmentárias, pela Universidade de Lovaina. É também titular de um diploma de estudos superiores especializados em Gestão e Organização de Conhecimentos Inúteis e Dispersos, obtido no Instituto Estadual de Maringá, na Amazónia brasileira. É conhecido pela rectidão com que prossegue pela linha que traçou para se relacionar com os seus semelhantes. Amigo de seus amigos, nunca diz não a ninguém. Pertinaz e obstinado nas suas convicções, nunca ninguém o ouviu pronunciar um sim. Não é novo, nem velho; nem fraco, nem forte; nem sério, nem pulha; nem virtuoso, nem devasso. Assim é Aldo Nim: nem não, nem sim