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quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Última Hora - Guy Marais desapareceu

O assunto é grave e não merece sorrisinhos cínicos. Guy Marais, esforçado escriba deste café, não dá sinais de vida desde sexta feira passada, altura em que enviou um sms a Pedro de Leitões perguntando-lhe se queria ir jantar ao restaurante Cabeça de Porco, em Moreira. Posto isto, não mais atendeu telefones, respondeu a emails e, mais grave, à porta de seu apartamento vazio estava um bilhete manuscrito que dizia - e citamos - fui para Gondar. Ora, Guy, mitómano por vocação, dizia sempre que tinha um - e citamos - castelo em Gondar. Sabendo nós da inverdade de tal afirmação - Guy não tem nenhum castelo em Gondar, até porque não há castelos em Gondar - escarrapachamos* neste espaço a nossa preocupação e lamento pelo silêncio de Guy Marais. Afinal, quem cala consente.

* que palavra incómoda, não?

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Nota de Abertura

Desde o aparecimento dos mais rudimentares cafés, sensivelmente há tempos imemoriais, que a humanidade neles conheceu avanços e recuos. Guimarães, como parte integrante da humanidade que é – sendo até, relembre-se, património da mesma – não é excepção: a sua História passa também pelos seus cafés. Dois exemplos, enrodilhados no confuso novelo das Lendas e em extremos opostos do Tempo, ilustram com lhaneza o que acabou de se escrever: o primeiro leva-nos a vésperas de 24 de Junho de 1128, ao famoso botequim do Javali Azul, à Vila Velha do Castelo. Diz-se que aí, um jovem chamado Afonso Henriques terá afirmado o célebre “eu vou-me a ela”, sendo ela não a conhecida cerveja fermentada no mosteiro de Pombeiro de Ribavizela, que fazia as delícias do Quase-Rei, mas sim a senhora sua mãe, Teresa. Quase mil e tal anos mais tarde, reza a lenda que às opacas mesas de vidro do Café Milenário o presidente da Câmara terá proferido o igualmente célebre “está bem, vamos lá candidatar-nos a isso da Cultura em 2012”.

Como facilmente se conclui, o café é, ou deve ser, um espaço de decisões, históricas ou nem por isso, quase sempre antecedidas de calorosos e profícuos debates. Espaço privilegiado de tertúlia e debate, o café é o lugar ideal para queimar palavras. É por isso que há quem reconheça a existência de um conceito de conversa de café, de uma corrente de pensamento por vezes facilitista e populista, por vezes densa e erudita, que só surgiu porque existem cafés. A ela se referem nomes tão díspares da intelectualidade, desde Arnold Geulincx, o flamengo, até Adelino Pinheiro, o derridiano da Rua Rei do Pegu. É, pois, com este espírito de missionário que um grupo de investidores nacionais e estrangeiros reabre, de hoje em diante, debalde e doravante, o lendário Café Toural. Sejamos todos bem-vindos, ora pois; discutamos a nossa cidade, pois então. Sempre com café à frente, por obséquio.

A Gerência.