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quinta-feira, 21 de maio de 2009

Coitada da Senhora!

Não se pode vilipendiar desta forma a Sr.a Professora, Honoré. Afinal, ela recebe instruções de superiores que escrevem bem pior. Sim, isto piora, quando se sobe na hierarquia, bastará ler o Diário da República.
Quanto ao famoso Magalhães, das duas uma: ou ninguém do ministério da educação se deu ao trabalho de ler e aprovar os conteúdos de um instrumento pedagógico (o que, convenhamos, é muito grave) ou, então, estamos mesmo entregues à bicharada, senão vejamos (dispenso-me de sublinhar as bacoradas, por demasiado evidentes):

«Aqui fica uma lista (não exaustiva) das "pérolas" com que o "Magalhães" tem presenteado as nossas crianças.

* "Cada automóvel só pode mover horizontalmente ou verticalmente. Tu deves ganhar espaço para permitir ao carro vermelho de sair pelo portão à direita."

* "O Tux escondeu algumas coisas. Encontra-las na boa ordem."

* "Carrega nos elementos até pensares que encontras-te a boa resposta. (...) Nos níveis mais baixos, o Tux indica-te onde encontras-te uma boa cor marcando o elemento com um ponto preto. Podes utilizar o botão direito do rato para mudar as cores no sentido contrario."

O festival de asneiras do "Magalhães"


* "Dirije o guindaste e copía o modelo."

* "Abaixo da grua, vai achar quatro setas que te permitem de mexer os elementos."

* "O objectivo do quebra-cabeças é de entrar cifres entre 1 e 9 em cada quadrado da grelha, frequentemente grelhas de 9x9 que contéem grelhas de 3x3 (chamadas 'zonas'), começando com alguns números já metidos (os 'dados'). Cada linha, coluna, e zona só pode ter uma vez um símbolo ou cifre igual." (nota: instruções para o jogo sudoku)

* "Carrega em qualquer elemento que tem uma zona livre ao lado dele. Ele vai ir para ela."

* "Enfia a bola no buraco preto á direita."

* "Com o teclado, escreve o número de pontos que vês nos dados que caêm."

* "O objectivo do jogo é de capturar mais sementes do que o adversário. (...) Se os jogadores se acordam no facto que o jogo está num ciclo sem fim, cada jogador captura as sementes do seu lado."

* "Ao princípio do jogo 4 sementes são metidas em cada casa. O jogadores movem as sementes por vês. A cada torno, um jogador escolhe uma das 6 casas que controla. (...) Se a última semente também fês um total de 2 ou 3 numa casa do adversário, as sementes também são capturadas, e assim de seguida. No entanto, se um movimento permite de capturar todas as sementes do adversário, a captura é anulada (...). Este interdito é ligado a uma ideia mais geral, os jogadores devem sempre permitir ao adversário de continuar a jogar."

* "Aceder ás actividades de descoberta."

* "Pega as imagens na esquerda e mete-las nos pontos vermelhos."

* "Carrega e puxa os elementos para organizar a historia."

(nota: "historia" é repetidamente escrito sem acento)

* "Saber contar básicamente."

* "Move os elementos da esquerda para o bom sitio na tabela de entrada dupla."

* "Puxa e Larga as peças no bom sitio."

(nota: "sitio" nunca é escrito com acento)

* "Com o teclado, escreve o número de pontos que vês nos dados que caêm."

* "Primeiro, organiza bem os elementos para poder contar-los (...)."

* "Carrega no chapéu para o abrires ou fechares. Debaixo do chapéu, quantas estrelas consegues ver a moverem? Conta attentamente. Carrega na zona em baixo à direita para meter a tua resposta."

* "Treina a subtracção com um jogo giro. Saber mover o rato, ler números e subtrair-los até 10 para o primeiro nível."

* "Quando acabas-te, carrega no botão OK ou na tecla Entrada."

* "Conta quantos elementos estão debaixo do chapéu mágico depois que alguns tenham saído."

* "Olha para o mágico, ele indica quantas estrelas estão debaixo do seu chapéu mágico. Depois, carrega no chapéu para o abrir. Algumas estrelas fogem. Carrega outra vês no chapéu para o fechares. Deves contar quantas ainda estão debaixo do chapéu."

* "Lê as instruções que te dão a zona em que está o número a adivinhar. Escreve o número na caixa azul em cima. Tux diz-te se o número é maior ou mais pequeno. Escreve então outro número. A distância entre o Tux e a saída à direita representa quanto longe estás do bom número. Se o Tux estiver acima ou abaixo da saída, quer dizer que o teu número é superior ou inferior ao bom número."

* "Tens a certeza que queres saír?"

* "Aprende a escrever texto num processador. Este processador é especial em que obriga o uso de estilos (...)"

* "Neste processador podes escrever o texto que quiseres, gravar-lo e continuar-lo mais tarde. Podes estilizar o teu texto utilizando os botões à esquerda. Os quatro primeiros permitem a escolha do estilo da linha em que está o cursor. Os 2 outros com múltiplas escolhas permitem de escolher tipos de documentos e temas coloridos pré-definidos."

* "Envia a bola nas redes"

* "É preciso saber manipular e carregar nos botões do rato fácilmente."

* "O objectivo é só de descobrir como se podem criar desenhos bonitos com formas básicas (...)."

* "O objectivo é de fabricar um forma dada com sete peças."

* "Quando o tangram for dito frequentemente ser antigo, sua existência foi somente verificada em 1800."

(nota: explicação do tangram, um quebra-cabeças tradicional chinês)

* "Mexe as peças puxando-las. Carrega o botão direito nelas para as virar. Selecciona uma peça e roda à volta dela para a rodar. Quando a peça pedida estiver feita, o computador vai reconhecer-la (...)."

* "Reproduz na zona vazia a mesma torre que a que está na direita."

* "Reproduzir a torre na direita no espaço vazio na esquerda."

* "Puxa e Larga uma peça por vês, de uma pilha a outra, para reproduzir a torre na direita no espaço vazio na esquerda."

O festival de asneiras do "Magalhães"


* "Move a pilha inteira para o bico direito, um disco de cada vês."(nota: as quatro últimas frases são as instruções dos jogos "Torres de Hanoi" e Torres de Hanoi simplificadas" - "Hanoi" sem acento no "o")

* "Torno dos brancos"

(nota: a vez de jogar das peças brancas num jogo de xadrez)

* "Joga o joga de estratégia Oware contra o Tux."


Para este jogo é preciso ter cérebro

As instruções de cada jogo no ambiente de trabalho Linux do "Magalhães" estão organizadas em três tipos de informação: "objectivo" (o propósito daquele jogo), "manual" (a forma de jogar - por exemplo, quais as teclas e como fazer cada acção) e "necessário" (os requisitos para poder jogar).

Clicando em "necessário" encontramos indicações tão diversas como "bom controlo do rato", "utilização do teclado", "ler as horas" ou "saber contar". Mas nas instruções do "Jogo de Bolas" ficamos a saber que, para essa actividade, é "necessário: cérebro".»

Este texto reproduz parcialmente o artigo de Filipe Santos Costa, para o Expresso, que podem ler na íntegra, aqui.

Há uma terceira hipótese: nem a ideia e o computador são novidade, nem o software respectivo, sendo que este foi traduzido com recurso a uma das muitas páginas de tradução gratuita que estão disponíveis online. Outro exemplo feliz de uma página do Ministério da Educação, é este, atentem na primeira frase... Que miséria, não é?

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Terrorismo Político e Cabidela

Hoje o galo, o galo maldito, começou a cantar ainda mais cedo e ainda mais estrídulo. Tomei a resolução que antes já tinha tomado tantas vezes, mas que nunca consumara. De hoje não passa! Levantei-me, na cozinha peguei numa malga e na garrafa do vinagre. De faca afiada na mão, fui ao galinheiro. Pressentindo os meus propósitos galicidas, o cantador irritante desatou a cacarejar e a correr em todas as direcções, em círculos. Ao fim de trinta e sete minutos de perseguição, apanhei-o com um mergulho à Jesus, e, zás!, cortei-lhe o pescoço. Pendurei-o no estendal, pelas patas, com a malga por baixo, com boa quantia de vinagre, para a apanhar o sangue. Agora, ia poder dormir descansado e sonhar com a cabidela. No caminho de regresso a casa, com o instrumento da vingança na mão, vindos sabe-se lá de onde, saltaram-me em cima três, ou cinco, ou dezassete gorilas fardados de preto com as caras tapadas com passa-montanhas. Polícia, quieto! Num ápice, fiquei estendido de borco, com as mãos algemadas atrás das costas, e uma bota fincada no meu pescoço. Perguntaram-me o nome. Respondi. Ouço: É ele! Ao ver todas aquelas HK MP5 K apontadas ao meu pobre canastro, desato a encomendar a minha alma a deus e ao diabo. Se soubesse que matar um galo era crime tão grave, há muito que me teria deixado de cabidelas. Tartamelei uns gargarejos, na vã esperança de lhes explicar de onde vinha, de faca em sangue na mão. Alguém foi confirmar e confirmou. É verdade, chefe, está lá o galo. Vejo depois descerem da minha casa outros tantos gorilas de preto e caras tapadas. Tudo limpo, chefe, não encontrámos nada. Tiraram-me as algemas e, assim como apareceram, desapareceram. Com os motores dos carros a afastarem-se, levantei-me, espavorido, abismado e aturdido. Encontrei a casa de pantanas, tudo remexido.

Fiquei ali, sentado, horas a fio, a tentar perceber se estava acordado ou no meio de um pesadelo. Só agora encontrei uma explicação. Vinha nos jornais da terra. Cito um, com perdão pela falta de vírgulas:

O vereador começou por justificar que os projectos estavam ainda em fase de discussão pública, pelo que não se justificava qualquer parecer. Mas, perante a contestação da resposta por parte da vereadora que a recolocou atirando “como pode haver propostas para mexer na zona tampão do centro histórico classificado, sem um parecer do organismo local responsável pelo título”, Júlio Mendes não escondeu o nervosismo e perguntou “e como é que sabe que não há parecer?”

A contra-resposta provocou um diálogo mais aceso entre ambos tendo Ana Amélia obtido do vereador do PS a confirmação de que de facto não foi solicitado qualquer parecer ao ainda existente GTL. Mas à resposta Júlio Mendes acrescentou o comentário “isso é terrorismo político”, obtendo como resposta “não é não é trabalho de pesquisa. A Internet revela muitas informações”. Ana Amélia sugeriu a propósito “visitem os blogues onde estes assuntos são discutidos”.

Depois de dar uma volta pelos blogues indígenas, percebi que aquilo podia ser comigo, por causa disto. De repente, eu, que sempre tive razoável desarmonia ao terrorismo e forte alergia à política, vejo-me equiparado a agente de terrorismo político. Meus senhores, eu sou Honoré de Balazar, o das balazarianas! Não tenho nenhum fetiche por virgens, mesmo que sejam tantas como setenta e uma, e menos ainda se elas só vierem com disposição para me servirem depois de morto. Cá por mim, prefiro-as maduras e prefiro-me vivo.