quinta-feira, 18 de junho de 2009

Viseu Quer Afonso


Xenhor Prejidente da Câmara Munixipal de Vijeu,

Escrevo-lhe porque ando xubstancialmente confuja. Depois que xe lembraram de dijer que o noxo Viriato afinal não era noxo, e que nem xequer terá posto os cotos em Vijeu, eu fiquei tão dejanimada, porque a minha avó Franxisca xempre dije que nós falávamos axim, com esta noxa pronúnxia tão xibilante e graxioja, por xermos desxendentes do grande guerreiro dos Lujitanos, que xó me voltei a animar quando o xenhor prejidente Ruas veio dijer que o Afonxo Henriques nasxeu em Vixeu, e que íamos ter festa de arromba, e que até ia levantar uma estátua ao Afonxo, e dar o nome do Afonxo a uma rua, e fajer um congrexo sobre o Afonxo, e eu até penxei, cá para mim, que foi-xe o Viriato, mas não xe perdeu grande coisa, que vinha-xe o Afonxo, o noxo primeiro xoberano, e ficávamos a ganhar, porque ele até tinha uma espada muito maior do que a do falexido Viriato, mas agora ouxo os de Guimarães a dijerem que o nasximento do Afonxo em Vijeu é uma história da carochinha, e que a gente anda para aqui a pôr-xe em bicos de pés, aos xaltinhos, para chamar a atenxão, mas que o Afonxo é deles, que toda a gente o xave e até o outro Prejidente, aquele que é mais prejidente do que o Xenhor Prejidente, o xenhor Xilva, vai lá axima ajudar à festa que vão fajer ao Afonxo, e eu comexo a ficar acabrunhada, porque estou a ver que deixaram o Viriato ir-xe, xem que o Afonxo xe viexe e agora nós ficámos xem pau nem bola e com eles a gojarem-nos à tripa forra, mas o que mais me entristexe, xenhor prejidente, é xaber que, afinal, o Afonxo Henriques não falava axim, com este noxo xotaque tão límpido e harmoniojo, ixo é que me dói.

Vixênxia Xampaio

domingo, 31 de maio de 2009

Gepeto & Pinóquio: O Reencontro


"Obrigado, querido amigo" - Vital Moreira a José Sócrates, Braga, 30 de Maio de 2005

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Procura-se Cabeça

Partido em expansão e com forte presença no espaço mediático nacional procura desesperadamente cabeça de lista para candidatura à Câmara Municipal de Guimarães. Dá preferência a alguém ex-qualquer coisa que se posicione algures entre a social-democracia e a esquerda caviar. Deve ser bem-falante, mas não precisa de ter ideias próprias, uma vez que ao escolhido será facultado um pacote de frases feitas e de sound bytes prontos a usar. Pode ser de qualquer género, desde que se afirme praticante ou adepto de sexualidades coloridas e alternativas, dos casamentos unicolor e do consumo de drogas leves. Caso não preencha as condições pretendidas, não deixe de responder a este anúncio: em desespero de causa, qualquer um serve. Resposta urgente para: Francisco Louçã & Associados, filial de Guimarães, Rua da Saudade – Creixomil.

Coitada da Senhora!

Não se pode vilipendiar desta forma a Sr.a Professora, Honoré. Afinal, ela recebe instruções de superiores que escrevem bem pior. Sim, isto piora, quando se sobe na hierarquia, bastará ler o Diário da República.
Quanto ao famoso Magalhães, das duas uma: ou ninguém do ministério da educação se deu ao trabalho de ler e aprovar os conteúdos de um instrumento pedagógico (o que, convenhamos, é muito grave) ou, então, estamos mesmo entregues à bicharada, senão vejamos (dispenso-me de sublinhar as bacoradas, por demasiado evidentes):

«Aqui fica uma lista (não exaustiva) das "pérolas" com que o "Magalhães" tem presenteado as nossas crianças.

* "Cada automóvel só pode mover horizontalmente ou verticalmente. Tu deves ganhar espaço para permitir ao carro vermelho de sair pelo portão à direita."

* "O Tux escondeu algumas coisas. Encontra-las na boa ordem."

* "Carrega nos elementos até pensares que encontras-te a boa resposta. (...) Nos níveis mais baixos, o Tux indica-te onde encontras-te uma boa cor marcando o elemento com um ponto preto. Podes utilizar o botão direito do rato para mudar as cores no sentido contrario."

O festival de asneiras do "Magalhães"


* "Dirije o guindaste e copía o modelo."

* "Abaixo da grua, vai achar quatro setas que te permitem de mexer os elementos."

* "O objectivo do quebra-cabeças é de entrar cifres entre 1 e 9 em cada quadrado da grelha, frequentemente grelhas de 9x9 que contéem grelhas de 3x3 (chamadas 'zonas'), começando com alguns números já metidos (os 'dados'). Cada linha, coluna, e zona só pode ter uma vez um símbolo ou cifre igual." (nota: instruções para o jogo sudoku)

* "Carrega em qualquer elemento que tem uma zona livre ao lado dele. Ele vai ir para ela."

* "Enfia a bola no buraco preto á direita."

* "Com o teclado, escreve o número de pontos que vês nos dados que caêm."

* "O objectivo do jogo é de capturar mais sementes do que o adversário. (...) Se os jogadores se acordam no facto que o jogo está num ciclo sem fim, cada jogador captura as sementes do seu lado."

* "Ao princípio do jogo 4 sementes são metidas em cada casa. O jogadores movem as sementes por vês. A cada torno, um jogador escolhe uma das 6 casas que controla. (...) Se a última semente também fês um total de 2 ou 3 numa casa do adversário, as sementes também são capturadas, e assim de seguida. No entanto, se um movimento permite de capturar todas as sementes do adversário, a captura é anulada (...). Este interdito é ligado a uma ideia mais geral, os jogadores devem sempre permitir ao adversário de continuar a jogar."

* "Aceder ás actividades de descoberta."

* "Pega as imagens na esquerda e mete-las nos pontos vermelhos."

* "Carrega e puxa os elementos para organizar a historia."

(nota: "historia" é repetidamente escrito sem acento)

* "Saber contar básicamente."

* "Move os elementos da esquerda para o bom sitio na tabela de entrada dupla."

* "Puxa e Larga as peças no bom sitio."

(nota: "sitio" nunca é escrito com acento)

* "Com o teclado, escreve o número de pontos que vês nos dados que caêm."

* "Primeiro, organiza bem os elementos para poder contar-los (...)."

* "Carrega no chapéu para o abrires ou fechares. Debaixo do chapéu, quantas estrelas consegues ver a moverem? Conta attentamente. Carrega na zona em baixo à direita para meter a tua resposta."

* "Treina a subtracção com um jogo giro. Saber mover o rato, ler números e subtrair-los até 10 para o primeiro nível."

* "Quando acabas-te, carrega no botão OK ou na tecla Entrada."

* "Conta quantos elementos estão debaixo do chapéu mágico depois que alguns tenham saído."

* "Olha para o mágico, ele indica quantas estrelas estão debaixo do seu chapéu mágico. Depois, carrega no chapéu para o abrir. Algumas estrelas fogem. Carrega outra vês no chapéu para o fechares. Deves contar quantas ainda estão debaixo do chapéu."

* "Lê as instruções que te dão a zona em que está o número a adivinhar. Escreve o número na caixa azul em cima. Tux diz-te se o número é maior ou mais pequeno. Escreve então outro número. A distância entre o Tux e a saída à direita representa quanto longe estás do bom número. Se o Tux estiver acima ou abaixo da saída, quer dizer que o teu número é superior ou inferior ao bom número."

* "Tens a certeza que queres saír?"

* "Aprende a escrever texto num processador. Este processador é especial em que obriga o uso de estilos (...)"

* "Neste processador podes escrever o texto que quiseres, gravar-lo e continuar-lo mais tarde. Podes estilizar o teu texto utilizando os botões à esquerda. Os quatro primeiros permitem a escolha do estilo da linha em que está o cursor. Os 2 outros com múltiplas escolhas permitem de escolher tipos de documentos e temas coloridos pré-definidos."

* "Envia a bola nas redes"

* "É preciso saber manipular e carregar nos botões do rato fácilmente."

* "O objectivo é só de descobrir como se podem criar desenhos bonitos com formas básicas (...)."

* "O objectivo é de fabricar um forma dada com sete peças."

* "Quando o tangram for dito frequentemente ser antigo, sua existência foi somente verificada em 1800."

(nota: explicação do tangram, um quebra-cabeças tradicional chinês)

* "Mexe as peças puxando-las. Carrega o botão direito nelas para as virar. Selecciona uma peça e roda à volta dela para a rodar. Quando a peça pedida estiver feita, o computador vai reconhecer-la (...)."

* "Reproduz na zona vazia a mesma torre que a que está na direita."

* "Reproduzir a torre na direita no espaço vazio na esquerda."

* "Puxa e Larga uma peça por vês, de uma pilha a outra, para reproduzir a torre na direita no espaço vazio na esquerda."

O festival de asneiras do "Magalhães"


* "Move a pilha inteira para o bico direito, um disco de cada vês."(nota: as quatro últimas frases são as instruções dos jogos "Torres de Hanoi" e Torres de Hanoi simplificadas" - "Hanoi" sem acento no "o")

* "Torno dos brancos"

(nota: a vez de jogar das peças brancas num jogo de xadrez)

* "Joga o joga de estratégia Oware contra o Tux."


Para este jogo é preciso ter cérebro

As instruções de cada jogo no ambiente de trabalho Linux do "Magalhães" estão organizadas em três tipos de informação: "objectivo" (o propósito daquele jogo), "manual" (a forma de jogar - por exemplo, quais as teclas e como fazer cada acção) e "necessário" (os requisitos para poder jogar).

Clicando em "necessário" encontramos indicações tão diversas como "bom controlo do rato", "utilização do teclado", "ler as horas" ou "saber contar". Mas nas instruções do "Jogo de Bolas" ficamos a saber que, para essa actividade, é "necessário: cérebro".»

Este texto reproduz parcialmente o artigo de Filipe Santos Costa, para o Expresso, que podem ler na íntegra, aqui.

Há uma terceira hipótese: nem a ideia e o computador são novidade, nem o software respectivo, sendo que este foi traduzido com recurso a uma das muitas páginas de tradução gratuita que estão disponíveis online. Outro exemplo feliz de uma página do Ministério da Educação, é este, atentem na primeira frase... Que miséria, não é?

terça-feira, 19 de maio de 2009

Um País em Forma de Assim

(depois de ouvir as notícias do dia)

Há um país onde a mais alta responsável pelo maior território educativo, que controla, com mão de ferro, quase seis mil escolas e sessenta mil professores, não conhece, cada tiro, cada melro, os mais elementares rudimentos da sintaxe e da ortografia da língua materna.

Há um país onde uma gravação não serve para indiciar um figurão, que por acaso é primeiro-ministro, em matéria putrefacta com ramificações internacionais.

Há um país em que uma gravação encoberta e ilegal é matéria de prova suficiente para abrir um processo disciplinar a uma professora que perde as estribeiras, em equilíbrio instável e à beira de um colapso nervoso.*

Há um país onde um senhor confessa ter invocado, indevidamente, os nomes do primeiro-ministro e do ministro da justiça, mas continua, impávido e sereno como uma lapa, a envergonhar os seus concidadãos, representando-os num alto cargo internacional.

Cá por mim, já sei o que direi quando encontrar por aí um extraterrestre:

-Tira-me daqui, meu.

* Foram céleres em instaurar processo disciplinar à senhora professora que devia estar internada, mas parece que se esqueceram de idêntico procedimento para quem cometeu o ilícito de gravação sem consentimento (art.º 199.º do Código Penal).

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Fantástico, Mike!

Indo atrás de uma deixa atirada para aqui, fui coscuvilhar as caixas de comentários do blogue dos jota rosinhas de Guimarães e percebi que lá só são admitidos comentários laudatórios, apologéticos ou, no mínimo, elogiosos e que incluam variações em sol maior do adjectivo fantástico: debate fantástico, iniciativa fantástica, fantástica iniciativa, fantásticos jovens. Não sei bem por que razão, mas aflorou-me à memória uma expressão que já não ouvia há muito tempo. Fantástico, Melga!


terça-feira, 12 de maio de 2009

Afinal, a CEC2012 Será Outra

Palavras de Sua Eminência, O Ministro da Cultura de Portugal, à margem da reunião em Bruxelas que designou a cidade portuguesa que será Capital Europeia da Cultura no ano da graça de 2012, em falando dos trabalhos que para para a dita se projectam:

A nível urbano, “quer-se fazer a recuperação e reabilitação de todo o centro e de tudo aquilo que é possível e necessário recuperar (…). Mas quer-se fazer esse trabalho de continuada recuperação, sobretudo numa lógica de renovação e de reintegração de pessoas em todo o eixo central e em todo o centro (…) e, portanto, de requalificação urbana para reedificar e revitalizar a cidade”, para que “as pessoas sejam de novo entrosadas com a cidade, venham de novo ocupar esse centro”.

Não sei que cidade, assim desvitalizada ao centro e onde urge entrosar de novo as pessoas, será aquela. Guimarães não é, certamente.

sábado, 9 de maio de 2009

Olha o Robot!

Já cheira a eleições autárquicas. Já fervilham ideias luminosas, luzentes e radiosas. Já se vê um dos candidatos cá da terra defender, em prol de uma “formação de elevada qualidade no nosso concelho”, a criação de três escolas profissionais nas áreas da agricultura, da indústria têxtil e da… robótica. Isso mesmo, nem um curso, nem um concurso: uma escola profissional de robótica. Ena! Estamos aqui, estamos a exportar mão-de-obra altamente especializada em tecnologia futurista para os States, para o Japão e para o Burkina Faso. Para quem considere inaudita a coisa, adiantamos que também está a ser gizada, no âmbito das Novas Fronteiras socialistas, a criação, em Gonça, de uma escola profissional de tecnologia aeroespacial, que preparará profissionais qualificados para a colonização do planeta Gliese 581c (ideia inspirada na gesta dos descobridores quatrocentistas, a incluir no compromisso eleitoral do engenheiro Sócrates para a legislatura de 2009/2013. Há já entusiastas que comparam este projecto com outros da mesma dimensão, como a para sempre lembrada promessa dos 150.000 empregos).

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Sentido de humor...


Absolutamente genial a ideia da publicação deste anúncio no Público de 7.5.2009, talvez o melhor momento de humor do ano, até agora.
Depois da duplamente deprimente alocução de Pinho - duplamente porque, por um lado, expôs, mais uma vez, ao país, que o ME e I(*) é um tipo, no mínimo infausto e boçal (na minha opinião, deve excessivamente à capacidade de abstracção, essa mesma que nos distingue do restante mundo animal); por outro lado, porque, ao defender que Basílio Horta é algo de idóneo ou, até, como diria o grande Almada, "asseado", expõe definitivamente a calvície intelectual da criatura -, alguma coisa de inteligente, finalmente, resulta desta palhaçada. Ou, para utilizar uma expressão tão cara ao léxico rosa, nos tempos de Santana Lopes - que parecem ter obnubilado por completo -, "trapalhada". Até o "Avô Cantigas" já teve de vir demarcar-se do primata.(**)(***)

Cuidem-se, pois, os felídios, os coevos e as criações ilusórias: a administração da Unilever, que produz a velhinha Maizena e a agência de publicidade que a trata têm muito mais piada.
Bem hajam!

_____________________

(*) - Sim, pasme-se, mas, além da economia, o "iluminado" é ainda Ministro da Inovação.
(**) - As minhas sinceras desculpas ao Carlos Alberto Vidal, pela comparação, mas as semelhanças são demasiado tentadoras...
(***) - Para quem não saiba e pense que, eventualmente, o Martinho foi longe de mais, fica a seguinte informação: o homem é um mamífero primata bípede.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Qual Maradona? Qual Messi?

Mourinho, claro, quem mais? Ou a descoberta do poeta repentista que inventou uma nova rima para o c***lho.

domingo, 3 de maio de 2009

O Sorriso da Hiena

Tenho acompanhado as reacções indignadas ao tratamento que foi dado ao Prof. Vital Moreira na manif da CGTP. Em resposta aos que se questionam sobre o que é que o homem lá foi fazer, vejo recuperar o célebre acórdão da coutada do macho ibérico, do Supremo Tribunal de Justiça, que sentenciava, a propósito da violação de uma turista de mini-saia, que “estava a pedi-las...”. A analogia é graciosa, porém pouco ajustada à situação vitalina. Vital Moreira, putativo mártir e candidato a enfileirar ao lado de Nuno Álvares Pereira, está longe de ser uma virgem ofendida e não consta que tenha sido violado. Quando lá foi, sabia bem ao que ia (não foi em vão que militou no PCP até perto dos 50 anos). Obteve o que pretendia. O sorriso que não disfarçou, enquanto era borrifado com água fresca e sacudido pela turba, é por demais esclarecedor, assim como a pressa que teve em colar o que lhe estava a acontecer aos acontecimentos da Marinha Grande. Esta gente não brinca em serviço! Haverá por aí alguém tão ingénuo que não perceba que aquilo foi cuidadosamente preparado por marketeiros, com o propósito de criar um factóide que desse um impulso à candidatura de tão eminente figura? Tratou-se, simplesmente, de uma acção de campanha eleitoral, pura e dura. Vital Moreira é, para aqueles que lhe chamaram nomes feios, um traidor, alguém que perfilhou uma fé e que a abandonou para se tornar num apóstolo do contrário daquilo em que dizia acreditar. Um renegado, portanto. Ele, que um dia escreveu um livro sobre “A ordem jurídica do capitalismo”, tem sido, ao longo dos tempos, um dos mais torrenciais e indefectíveis panegiristas da obra do senhor engenheiro, o tal que tira aos remediados para dar aos banqueiros, ao serviço de quem tem dito dos sindicatos aquilo que Maomé não diria do toucinho. Assim sendo, por que razão foi ele, exactamente ele, que nem sequer é do partido, o escolhido para encabeçar a comitiva oficial dos da rosa à tal manif, onde era suposto que, por ser quem é, não seria bem-vindo, nem recebido com beijos e abraços, antes pelo contrário? Um acto de cortesia? Ora, ora, conte-nos outra, Vitalino Canas... Seria o mesmo que o Salman Rushdie aparecer numa celebração dos Ayatolahs. Ou o Luís Figo voltar a passear pelas Ramblas de Barcelona. Ou a Carolina Salgado tornar a enfileirar num desfile dos Super Dragões, rumo a um jogo no Estádio da Luz. Ou o Francisco Teixeira fazer-se convidado para uma confraternização dos socialistas de Guimarães. Quando apareceu na manif da CGTP, o cabeça de lista do PS sabia ao que ia. Estava, literalmente, a pedi-las. E houve uns ingénuos que lhas deram.

E veio Vitalino à liça, atiçar as almas pudicas contra os bárbaros que acometeram o seu cabeça de lista, falando em ódio e em acto de cobardia. Como bem dizia o meu tio Francelino, quem tem telhados de vidro não atira pedras para o ar. Ou será que o homem já esqueceu os tristes espectáculos, protagonizados por militantes do seu partido, aquando das recepções a Sousa Franco, no mercado de Matosinhos, ou a Francisco Assis, em Felgueiras?

Laranja Com Travo de Rosa

Já me tinham afiançado que a próxima campanha eleitoral dos laranjas locais estaria a ser preparada, ao milímetro, por agentes infiltrados ao serviço do Dr. Magalhães. Não acreditei, claro. Mas agora, ao ver o enigmático cartaz que espalharam pelas entradas da cidade, começo a acreditar.

domingo, 26 de abril de 2009

Santidade e Peixe Frito

D. Afonso Henriques: Milagre de Ourique.

Era uma vez um bravo militar, muito conhecido pela sua propensão para limpar o coiro à espadeirada aos castelhanos, famigerado pelos seus feitos na Batalha de Aljubarrota e pelas incursões ao outro lado da fronteira com Espanha que, durante longos anos, encabeçou. Em chegando à terceira idade, tendo gozado a sua parte dos prazeres carnais e terreais, entre os quais se incluía o de trespassar castelhanos com a sua celebrada espada, fez-se pio e carmelita, entrando para o Convento do Carmo, onde viveu em recato os últimos anos da sua longa vida. Porém, mesmo ali, nunca lhe terá desfalecido a vontade de matar espanhóis, como se vê de certo episódio muito virtuoso ocorrido em certa visita que D. João I lhe fez. Tendo-lhe o rei perguntado o que faria se Castela voltasse a invadir Portugal, D. Nuno levantou as saias, mostrando que podiam contar com ele. Debaixo do hábito, lá estava a cota de malha, para o que desse e viesse, sempre pronta para o retorno ao seu passatempo favorito, esfolar espanhóis*. Isto passava-se algures entre os séculos XIV e XV. Já se tinha chegado ao XXI, quando D. Guilhermina de Jesus, que frigia peixe, foi atingida num olho por salpicos de óleo fervente, que lhe causaram uma lesão para a qual os médicos não teriam remédio, mas de que se sentiu aliviada depois de se apegar com D. Nuno, de quem era muito devota. Milagre, disse a Santa Madre de Roma, que se apressou a fazer santo o milagreiro. Até aí, nada a embargar: como o Cristiano Ronaldo, o Durão Barroso, o Mourinho, o Saramago ou o cão do Obama, o santo da fritura é mais um português que brilha no mundo, inflamando o nosso ego pátrio e ajudando a desanuviar em tempo de crise. Pela minha parte, tencionava mesmo comemorar na Adega dos Caquinhos, com meio quarteirão de sardinhas fritas. Até que leio que um senhor bispo se lembrou de alvitrar que, na História de Portugal, o conde do estábulo “tem um papel tão marcante como o de D. Afonso Henriques”. Arre!, que já é demais: eu não sei de onde vem tamanha sanha contra o nosso primeiro rei. Meus caros senhores, o Santo Nuno do peixe frito nem de saltos altos chega aos calcanhares de Afonso Henriques. Nem mesmo na beatitude. O primeiro rei, a quem apareceu o Senhor, muito antes da Senhora se ter apresentado em cima de um chaparro aos três pastorinhos, também fez milagres. Também ele, muito antes do marechal de João I, teve ares de santidade e até um processo de canonização, que apenas encravou por acção de forças ocultas que lhe moveram uma campanha negra. Nada tenho contra o vosso santinho, mais o nascente negócio das imagens e das medalhinhas, que sempre será um contributo para a reanimação do nosso tão depauperado Produto Interno Bruto. Mas façam o favor de não se meterem com os nossos. Deixem Afonso Henriques sossegado.

*Por ironia, não tarda muito, dizem que o homem era espanhol. Já começam a preparar o terreno, baptizando-o com nome espanhol.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

É uma vergonha...


«Entre-os-Rios: Indemnizações vão integrar custas judiciais

O Governo decidiu hoje que as indemnizações pagas aos herdeiros das vítimas do acidente em Entre-os-Rios vão ser acrescidas do valor com as despesas por estes efectuadas com custas judiciais, que se estimam em 55 mil euros.

A resolução foi apresentada no final do Conselho de Ministros pelo secretário de Estado da Presidência, Jorge Lacão.

Jorge Lacão disse não dispor ainda de uma estimativa exacta em relação ao valor das custas judiciais, mas frisou que o esforço do Estado, desde 2001 (ano da queda da ponte em Castelo de Paiva), em termos globais de indemnizações, já atingiu os seis milhões de euros.

Diário Digital / Lusa»

Na realidade, há uma justiça para uns e outra para os demais... Agora, todos os cidadãos que vão à justiça reclamar os direitos que pensam ter e não os vêem reconhecidos, porque o tribunal não lhes dá razão, podem pedir ao estado para não pagar as custas...

E quem é que paga os milhares de euros que os acusados , agora inocentados, gastaram em honorários, despesas e tempo, para defenderem a sua honorabilidade e competência profissional, perante estas acusações infundadas e vingativas que, pelo visto, nada fizeram para provocar?

sábado, 18 de abril de 2009

A Pátria, Entre o Cherne e o Cão

Legenda: o português da esquerda foi o fiel amigo que lambeu a mão do presidente George W. Bush, serviu cafezinhos nos Açores e contribuiu para uma grande mentira; o português da direita é o fiel amigo que agora lambe as mãos ao presidente Barack Obama, faz cocó na Casa Branca e é incapaz de mentir.

O cherne ficou abaixo de cão, mas o Senhor Engenheiro, fiel amigo de quem lhe franqueou as portas para o lugar onde hoje se encontra, continua a apoiá-lo. Por patriotismo, claro.

domingo, 12 de abril de 2009

Lesto o Pé Que Tempo É


Não: devagar.
Devagar, porque não sei
Onde quero ir.
(Álvaro de Campos)



Consta que Maribor, na Eslovénia, será capital Europeia da Cultura em 2012. Por lá, as coisas vão andando (qual é a pressa?). Em 2013, será a vez de Marselha, França, e de Košice, na Eslováquia. Por lá, as coisas já giram e marcham, assim e assim (será que vão apanhar o comboio?). Em Guimarães, que fará parelha com Maribor, em 2012, as coisas vão indo entre a letargia e a catalepsia: estáticas, paradas e silentes, com quase completa ausência de sinais vitais. Aparentemente, nada se move, a não ser a inexorável marcha do tempo.

E eu pergunto:

Porque será?

Será porque o segredo é a alma do negócio?

Será porque, em vez de um Ministro da Cultura, temos um holograma narcisista a fazer as suas vezes?

Será porque o processo entrou em recesso, para não colidir com o calendário eleitoral de 2009?

Será por causa da mãe de todas as causas, a crise?

Será porque não se passa mesmo nada?

Será porque ainda falta muito tempo?

E pergunto mais:

Que é feito do prometido processo participado, de que não temos notícias desde Outubro de 2007?

Que é feito da vontade de promover, “em todas as fases do processo, a auscultação, participação e envolvimento de todos os que considerarem que podem aportar ideias, reflexões, propostas e contributos ao projecto”?

Será que, afinal, vamos ter uma cidade Capital Europeia da Cultura construída sem a participação dos seus cidadãos?

[Serão apressados, os Marselheses, que já fixaram e divulgaram uma metodologia para a elaboração do programa para a CEC 2013, com um apelo à apresentação de projectos?]

Não nos faltam as perguntas, nem a sabedoria da minha tia Engrácia, que tinha sempre resposta para tudo e a quem muitas vezes ouvi lembrar que o tempo que se perde não se torna mais a achar.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Tempos Modernos

Três funcionárias de uma loja do cidadão envergando as suas novas fardas.
Enquanto que em Espanha, enfermeira sem mini-saia ganha menos, no país da virtuosa e recatada D. Pulquéria proíbem-se saias curtas, decotes, saltos altos, roupa interior escura, gangas e perfumes agressivos. É a imparável força da modernidade.

terça-feira, 31 de março de 2009

Quem Promete Com Pressa, Arrepende-se Com Vagar

No ano da graça de 2014, Carlos Queiroz, provavelmente o melhor treinador-adjunto do mundo, continua fiel ao que prometeu.

sábado, 28 de março de 2009

O Apagão Diminutivo

Guimarães associou-se à Hora do Planeta, apagando a luz. Era para ser um apagão, mas eu não vi nada. Pois não, direis vós, como é que podias ver, se estava tudo às escuras? Perguntais bem, mas foi ao contrário: eu não vi nada porque estava tudo* bem iluminado. Anunciou-se um apagão, saiu um apaguinho.

* Concedo: tudo, tudo, não foi bem assim. Afinal, sempre se apagou a menina dos olhos do nosso alcaide, aquela luminária ondulante e kitsch – que é o mesmo que dizer pires, mas em estrangeiro – que bordeja os panos de muralha da rua Alberto Sampaio e da curva entre o Toural e a Alameda. Faria um grande bem ao planeta apagá-la de vez, o que, além de ser um gesto de manifesto bom gosto, muito contribuiria para delimitar os “efeitos nefastos de alguns exageros que todos cometemos”, como humildemente reconhece o nosso autarca-mor.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Que Mais Irão Inventar?

Julgava que já tínhamos ouvido tudo. Já disseram que ele nasceu em Coimbra. Já disseram que nasceu em Viseu. Até já insinuaram que era abichanado. Já só faltava que dissessem que o bravo, bruto e barbiteso Afonso Henriques não os tinha no sítio. Agora já disseram.