Ontem meteram-me por baixo da porta o cartaz que aí vai, que vinha acompanhado por um convite. O autor da façanha ou é alguém que tem um sentido de humor tão aprimorado e subliminar que não está ao alcance do comum dos mortais, ou não passa de um reles e grosseiro provocador, ou, simplesmente, será um suicida que já perdeu o amor à vida. Era só o que nos faltava: promover uma exposição fotográfica sobre os vimaranenses, acompanhada por um livro sobre os ditos em que não participa a maior sumidade na matéria, será o mesmo que falar de futebol e não convidar o Luís de Freitas Lobo, discorrer sobre o coração sem ouvir o Professor Pádua, dissecar uma ocorrência de faca e alguidar sem auscultar o Moita Flores, reinterpretar o milagre da Rainha Santa Isabel sem consultar o Hermano Saraiva ou cavaquear sobre sexo na ausência da palavra sábia do Machado Vaz. Estou mais ou menos abespinhado, praticamente em estado de choque e quase quase a espumar de raiva. Já rasguei o cartão do Cineclube e garanto que não volto a pôr os pés no Museu Alberto Sampaio. Fazem-me aquilo pelas costas e ainda lhes sobra lata suficiente para me mandarem um convite, como se eu me prestasse a ir prestigiar aquela excelentíssima porcaria. Já não há decência, essa é que é essa!