Vou por aí fora e vejo o nosso presidente de há vinte anos, com um sorriso de todos os dentes, a anunciar: “Voto Seguro”. E ponho-me a cogitar se o homem se terá baralhado nas eleições: votar no Seguro era nas outras, nas que já foram. Fico com a sensação de que aquilo poderá ser um sinal aproximação de fim de prazo de validade, a pedir mudança. Vou circulando e descobrindo, com mal contido espanto, que muitos senhores do partido do nosso presidente de há vinte anos já dizem para acreditar na mudança e que até fazem apelos ao voto na força da mudança. Não percebo, mas vou circulando. Pelas esquinas da cidade, vou vendo cartazes socialistas com uns rapazes que me intimam a confiar na mudança. Junto ao estádio, lá está de novo o nosso presidente de há vinte anos, que tantos socialistas querem mudar, a sorrir-me e a repetir “Voto Seguro”. E é nessa altura que me deparo, mesmo ali ao lado, com alguém que me interpela, num cartaz do PSD: “Mudar para quê?”.
Isto anda mesmo muito esquisito.
Isto anda mesmo muito esquisito.